terça-feira, 21 de junho de 2011

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sábado, 19 de março de 2011

Lindas Tardes

Sete de janeiro terreiro propício
o  nascimento de um vício
Sete de janeiro; inteiro; início
precipício
A manhã mais bonita
Sintonia no ar
Tava tudo calmo
Tava tudo claro
De repente veio a chuva
e molhou
Molhou todos os pensamentos
Molhou a minha estupidez
e o meu passado
Uma gota me encantou
foi como um trovão
Cristalina em tom vibrou
com o meu violão
E eu não sabia se cantava por cantar
Ou era ela que chamava pra molhar
E eu não sabia se jogava por jogar
Garanto, ela me foi procurar
Sete de Janeiro
O dia se estendia dentro da calmaria
Tanto devaneio
Era bola pra alto e o gramado molhado
Sete de janeiro
Sete ao ano sete
E um set de canções para alegrar

Oh dona do amor
te dei todo o meu coração
No mar surfei
venci as ondas da ilusão
Pra ter você
eu mergulhei na emoção
Eu sempre achei
em sua alma erosão
Vi o outono passar
Vi o sabor das tempestades
Vi o inverno chegar
e o seu olhar sumindo à tarde
Disfarçar o amor, cê sabe
Esconder a cor, da tarde
Pra quem viu o sol poente
Passa a noite impaciente
À espera
À espera
Sempre à espera

Eu posso dizer depois de tudo que passou
que sempre será novidade no ar
Eu posso arriscar que nada um dia vai mudar
mas sempre estarei aqui para lembrar
Eu posso dizer que cada instante em que passei
em seu encalço era mais que eternidade
Eu posso explicar sucintamente o quanto amei
mas fora dessa cidade
Nunca, nunca, nunca duvide meu amor
Nunca, nunca, nunca mais, se esqueça, por favor
das lindas tardes

A vida segue equierrante
A gente segue sem preocupar
Ávida voa em todos quadrantes
Sem previsão pra continuar
O dia feliz foi quando eu vi
Um cometa atrás do seu lar
Quase uma hora depois do por do sol
Ao lado de eucaliptos gigantes
Eu descobri um aglomerado aberto
Fechado no tempo por um descuido normal
E o vento audaz antecipando o temporal
E o vento audaz devastando tanto mal
Eu descobri era um ser estranho por perto
Flechado no centro do coração leal
E o tempo faz do iceberg um cristal
E o tempo faz do pinheiro um jornal
Que sejas pra mim
como um cometa de verão
Que traga a luz
depois se vá na escuridão

Eu tenho você de um modo tão bonito
meu pensamento é quase um livro
Eu tenho você de um modo tão sinistro
meu pensamento é quase um bicho
Eu tenho você nas noites quentes
E perco tantas horas sem porquê
Eu vejo você tão inocente
E quebro tanto a cara por querer

# Canção extensa ao modo de Anoiteceu em Porto Alegre dos engenheiros, abertura do álbum O Amor Restaurado

Fragmento

Eu amei tocar Espatódea*
em sua chegada
na noite chuvosa
Eu amei os seus labirintos
a sua mandala
os seus instintos
Eu amei
como ninguém
nunca, jamais
ousou amar
Eu vi você
igual ninguém
e em seu cais
fui embarcar
Eu amei o seu sorriso
Aquela escada
O beijo aflito
Eu amei por todo inverno
com cruz e espada
Um caso eterno
Eu amei
E fui além
Dos imortais
Além do jazz
Eu quis você
à mais de cem
Morria aos ais
Por ser demais

* Canção de Nando Reis

A Volta Da Borboleta

É tão claro o negativo de seu ser
É um anjo, uma estrela de verão
Quase um quásar, quase uma rosa
Quase, quase, quase que explodiu
Quase, quase, quase que caiu
Nas esquinas eu parei, tanto fiquei à sua espera
A rainha pro meu rei, no horizonte desenhei a primavera
E hoje volta, faisca o céu com seu sinal
Tenho a porta, a faca e o queijo, chuva e sol
Vejo a volta como promessa de um Deus
Espero as horas espero a rosa e o girassol

Entre o Céu e o Mar

Quem de nós que deu ao livro a página cem
Quem de nós que deu motivo para ir além
Quem de nós que vai jogar
Quem de nós que vai dançar

Quem de nós correu perigo na noite do adeus
Quem de nós jogou os bichos contra o Santo Deus
Quem de nós que vai voar
Quem de nós que vai chorar

Nesta noite é sol no mar
Amanhã é outro ar

Entre o céu e o mar, ar
Entre o céu e o mar, ar

Quem de nós andou às praias sem destino algum
Quem de nós manteve o jogo sempre em um a um
Quem de nós que vai pro ar
Quem de nós que vai ganhar

Quem de nós armou as tendas pra dormir ao léu
Quem de nós comprou as vendas pra não ver o céu
Quem de nós que vai parar
Quem de nós que vai sonhar

Baobá

Quase que inventei
Borboleta e flor
Uma nova luz brilhou
Nem imaginei
Ter tanto sabor
Em seu sorriso sempre estou

E se te encontro na chuva
Nem preocupo em me molhar
Paraíso em sua blusa
Pára-raio em seu olhar

Quase que cortei
O seu Baobá*
Pra me reabilitar
Nem se quer podei
Hoje imenso está
Canta e purifica o ar

Eu te vejo alegre ao vento
Eu gosto de te inventar
Eu to tão feliz por dentro
Pelo fato de você respirar

* Árvore gigante (O Pequeno Príncipe)

Tão Estranho

Estranho seria se eu não te conhecesse
Estranho seria se eu não me apaixonasse
Amanhã traz sempre o novo, amor
A tarde é só repetição*
A noite é só, não possui divisão
Eu posso ver na escuridão

Estranho seria se eu não me envolvesse
Estranho seria se eu não continuasse
Amanhã eu vou te procurar
Cachoeira abaixo eu vou
E se a rosa ao sol não se secar
Posso esperar o luar

* A tarde é o inverso da manhã, nada de novo!

Pulsar

Teu olhar eu vejo ao longe
Teu coração em alto mar
Me vejo um pássaro que esconde
Por não ter força pra voar

És estrela um tanto fria, então
Eu tenho o fogo do dragão
Eu sou Vega* no inverno
Você Capella** no verão

Teu olhar me faz errante
Teu coração é um pulsar
Me vejo acorde dissonante
Que nunca pode se encaixar

És a vela da minha embarcação
Eu sou a vela da escuridão
Eu vou na Vega linda estrela
Você navega em meu clarão

* Primeira estrela da constelação de Lira
** Primeira estrela da constelação do Boieiro